Famosos / Luto
Morre Lindomar Castilho, rei do bolero e voz de “Você É Doida Demais”, aos 85 anos
Cantor marcou a música popular nos anos 1970, mas teve a carreira interrompida após o assassinato de Eliane de Grammont
20/12/2025
09:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Morreu aos 85 anos o cantor Lindomar Castilho, um dos nomes mais populares do bolero no Brasil na década de 1970. A morte foi confirmada pela filha, Lili De Grammont, por meio de publicação nas redes sociais neste sábado.
Na mensagem, a filha fez um relato pessoal e contundente ao lembrar a trajetória do pai e o crime que marcou sua história. “Meu pai partiu! (…) ao tirar a vida da minha mãe também morreu em vida. O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira”, escreveu.
Apelidado de “rei do bolero”, Lindomar Castilho alcançou enorme popularidade nos anos 1970, com canções de forte apelo romântico e melodramático. Entre seus maiores sucessos estão “Você É Doida Demais”, “Chamarada”, “Eu Amo a Sua Mãe” e “Tudo Tem a Ver”.
A música “Você É Doida Demais” voltou a ganhar projeção nacional ao ser escolhida como tema de abertura da série Os Normais, exibida pela TV Globo, estrelada por Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães.
A carreira de Lindomar Castilho foi abruptamente interrompida em 1981, quando ele assassinou a ex-esposa, a cantora e compositora Eliane de Grammont, durante uma apresentação em São Paulo. O crime teve grande repercussão nacional e é lembrado até hoje como um dos casos de feminicídio mais emblemáticos do país.
Condenado a 12 anos de prisão, Castilho caiu no ostracismo e deixou de ocupar espaço relevante no cenário musical brasileiro após o episódio.
Na despedida, Lili De Grammont afirmou que o luto envolve sentimentos complexos e contraditórios. “Se eu perdoei? Essa resposta não é simples como um sim ou não. (…) desejo que a alma dele se cure, que sua masculinidade tóxica tenha sido transformada”, escreveu.
A morte de Lindomar Castilho encerra uma trajetória artística de grande impacto popular, mas também reabre o debate sobre violência contra a mulher, memória, responsabilização e os limites entre obra, biografia e legado cultural.
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