Política / Câmara Federal
Hugo Motta emprega caseiro de sua fazenda como assessor na Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara mantém funcionário em cargo de secretário parlamentar com salário de R$ 7.200; testemunhas confirmam atuação na fazenda da família na Paraíba
17/08/2025
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), emprega em seu gabinete, em Brasília, o caseiro de sua fazenda em Serraria (PB), município de cerca de 6 mil habitantes. Documentos da Casa e relatos de moradores apontam que Ary Gustavo Soares ocupa o cargo de secretário parlamentar desde 2019, recebendo atualmente R$ 7.200 mensais entre salários e auxílios pagos com verba pública.
A função de secretário parlamentar exige dedicação exclusiva, com jornada de 40 horas semanais.
Testemunhas ouvidas pela reportagem confirmaram que Ary atua como caseiro da fazenda de Motta durante a semana e como motorista do deputado em Patos (PB) nos fins de semana.
A lei 8.112/1990 e normas internas da Câmara proíbem atividades particulares ou incompatíveis com o exercício da função.
O ex-tratorista Antonio da Costa afirmou que recebia ordens diretamente de Ary enquanto trabalhava na propriedade, até junho de 2023.
Antonio processou a fazenda por não ter carteira assinada e venceu a ação, recebendo R$ 18 mil. Ary atuou como preposto do deputado no processo trabalhista.
Funcionários e técnicos agrícolas da região confirmaram que Ary organiza o acesso à fazenda e toma decisões cotidianas.
Motta comprou a propriedade em março de 2023 por R$ 2,7 milhões, em nome da empresa da esposa, Luana Motta, e dos filhos.
No local funciona a Agropecuária Tapuio, registrada no CNPJ de empresa do próprio deputado.
A família também mantém outros parentes de Ary em cargos públicos:
Esposa do caseiro, Isabella Perônico, lotada no gabinete de Francisca Motta, avó de Hugo, com salário de R$ 14,3 mil;
Irmão do caseiro, André Guedes, nomeado superintendente da PatosPrev, recebendo R$ 13 mil.
Em julho, a Folha de S.Paulo revelou que Motta mantinha três funcionárias fantasmas em seu gabinete. Após a denúncia, duas foram demitidas, mas uma, estudante de medicina e filha de aliado político, permaneceu.
Na época, Motta afirmou que “preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários”, incluindo os que atuam de forma remota.
Cada deputado pode gastar até R$ 133 mil por mês com secretários parlamentares. Os salários variam entre R$ 1.584 e R$ 18.719, com auxílios adicionais. Pela legislação, os assessores devem exercer atividades diretamente ligadas ao mandato parlamentar, o que não inclui funções privadas, como a de caseiro.
Até o momento, Hugo Motta não se manifestou sobre o caso.
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