VIOLÊNCIA SEXUAL
Uma em cada 4 adolescentes no mundo sofreu violência física ou sexual do parceiro
A pesquisa utilizou estimativas globais, regionais e nacionais de 2000 a 2018 publicadas pela OMS
30/07/2024
07:35
SECOM
©DIVULGAÇÃO
Quase um quarto (24%), ou 19 milhões, das adolescentes em um relacionamento terão experimentado violência física ou sexual por parte de um parceiro íntimo até completarem 20 anos. É o que aponta estudo publicado nesta segunda-feira (29) na revista científica Lancet Child & Adolescent Health. Quase uma em cada seis (16%) experimentaram essas violências no último ano.
A pesquisa utilizou estimativas globais, regionais e nacionais de 2000 a 2018 publicadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e estimou a prevalência no último ano e ao longo da vida de violência sexual, física ou ambas por parte do parceiro íntimo contra meninas de 15 a 19 anos em 161 países. Esse é o primeiro estudo a fazer essa comparação globalmente.
A prevalência variou muito entre países e regiões, ao longo da vida variando de 3% na Geórgia, no Leste Europeu, a 49% em Papua Nova Guiné, na Oceania. No Brasil, a prevalência média de violência variou entre 15 a 19% ao longo da vida, e 10 a 14% no último ano.
No geral, a prevalência foi maior em países e regiões de baixa renda e renda média baixa, em lugares onde há menos meninas no ensino secundário e onde as meninas têm direitos de propriedade legal e herança mais fracos em comparação com os homens.
A análise aponta ainda que o casamento infantil (abaixo dos 18 anos) aumenta significativamente os riscos, uma vez que as diferenças de idade entre os cônjuges criam desequilíbrios de poder, dependência econômica e isolamento social -todos os quais aumentam a probabilidade de abuso duradouro.
"A violência por parte de parceiros íntimos está começando de forma alarmante cedo para milhões de jovens mulheres ao redor do mundo. Dado que a violência durante esses anos formativos críticos pode causar danos profundos e duradouros, ela precisa ser levada mais a sério como uma questão de saúde pública, com foco na prevenção e apoio direcionado", diz Pascale Allotey, diretora do Departamento de Saúde Sexual e Reprodutiva e Pesquisa da OMS.
Com base nas estimativas da OMS, as regiões mais afetadas são a Oceania (47%) e a África Subsaariana central (40%), por exemplo, enquanto as taxas mais baixas estão na Europa central (10%) e na Ásia central (11%).
Os resultados indicam ainda que, na maioria das regiões, a prevalência de violência por parte de parceiros íntimos nos últimos 12 meses foi maior entre adolescentes em comparação com mulheres de 15 a 49 anos (13%).
"Os resultados provavelmente refletem os desafios que as adolescentes podem enfrentar ao sair de relacionamentos abusivos em ambientes com recursos limitados devido ao estigma social e à falta de recursos, apoio familiar e conhecimento ou acesso a serviços de apoio", afirmam os pesquisadores.
Eles enfatizaram ainda a necessidade de promover e garantir políticas e programas que aumentem e garantam a igualdade de gênero.
"Isso significa garantir educação secundária para todas as meninas, assegurar direitos de propriedade iguais entre os gêneros e acabar com práticas prejudiciais como o casamento infantil, que muitas vezes são sustentadas pelas mesmas normas de gênero desiguais que perpetuam a violência contra mulheres e meninas", afirma a autora do estudo, Lynnmarie Sardinha, oficial técnica de Dados e Medição de Violência contra Mulheres na OMS.
Segundo a organização, nenhum país está no caminho certo para eliminar a violência contra mulheres e meninas até o esperado dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2030.
Acabar com o casamento infantil -que afeta 1 em cada 5 meninas globalmente- e expandir o acesso das meninas à educação secundária são fatores críticos para reduzir a violência por parte de parceiros contra adolescentes.
A entidade espera lançar, até o final deste ano, novas diretrizes para a prevenção do casamento infantil.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Inteligência da PM do DF monitora convocações para atos na Papudinha após decisão do STF
Leia Mais
Tarcísio admite ruídos com clã Bolsonaro, reforça apoio a Flávio e defende união da direita para 2026
Leia Mais
Lula passa por cirurgia de catarata, recebe alta e retoma agenda na segunda-feira
Leia Mais
Correios reabrem inscrições para Plano de Desligamento Voluntário a partir de fevereiro
Municípios