Política / Economia
Lula defende redução da jornada de trabalho e isenção total da PLR durante evento no Planalto
Presidente reforça bandeiras históricas do movimento sindical e cita necessidade de modernizar regras trabalhistas diante da transformação digital
26/11/2025
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Durante a cerimônia de sanção da reforma do Imposto de Renda, realizada nesta quarta-feira (26) no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender mudanças estruturais na legislação trabalhista, incluindo a redução da jornada de trabalho e a isenção total da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
As duas pautas são reivindicações históricas das centrais sindicais e ganharam destaque após serem mencionadas, antes de Lula, pelo presidente da CUT, Sérgio Nobre, e pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), relator do projeto que ampliou a faixa de isenção do IR.
Atualmente, a PLR é isenta apenas até R$ 8.214. Acima desse valor, incide imposto.
Em seu discurso, o presidente afirmou que o país precisa atualizar a legislação trabalhista, especialmente diante das mudanças tecnológicas que transformaram a produtividade e os métodos de produção.
“A gente não pode continuar com a mesma jornada de trabalho de 1943”, disse Lula, citando o ano de criação da CLT.
Segundo ele, a revolução digital e a automação “mudaram a lógica da produção” e devem ser consideradas no debate sobre relações de trabalho.
A redução da jornada sem redução salarial e o fim da escala 6x1 estão entre as principais bandeiras defendidas pela esquerda e por setores do governo.
A sanção da reforma do Imposto de Renda, que zerou a cobrança para quem recebe até R$ 5 mil, foi reafirmada por Lula como uma medida com forte impacto social — e um dos pilares de sua campanha para 2026.
O Ministério da Fazenda estima que 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar imposto com a mudança.
Para compensar a renúncia fiscal, o governo ampliará a tributação sobre os chamados “super-ricos”, cerca de 140 mil contribuintes com renda anual acima de R$ 600 mil.
A cerimônia evidenciou o clima político atual: os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, não participaram do evento.
A ausência reforça o distanciamento entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Legislativo, após desentendimentos envolvendo:
A tramitação do PL Antifacção na Câmara;
A indicação de Jorge Messias ao STF, rejeitada por Alcolumbre;
Divergências sobre projetos de impacto fiscal.
Ainda no discurso, Lula afirmou que a isenção do IR é importante, mas não suficiente para resolver os problemas estruturais do país.
Segundo ele, o objetivo do governo é elevar o Brasil a um patamar de desenvolvimento médio e reduzir desigualdades históricas.
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