Política / Justiça
Mauro Cid presta depoimento à PF sobre suspeita de plano para fugir do Brasil com passaporte português
Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro é investigado por possível tentativa de burlar ação penal da trama golpista com apoio de ex-ministro Gilson Machado
13/06/2025
09:40
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chegou à sede da Polícia Federal nesta sexta-feira (13) para prestar depoimento no inquérito que apura uma suposta tentativa de obter um passaporte português para deixar o Brasil, possivelmente como forma de obstruir investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação teria contado com intermediação de Gilson Machado, ex-ministro do Turismo, que foi preso nesta manhã em Recife (PE).
Mais cedo, mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra Cid, por determinação do STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da própria Polícia Federal. A suspeita é de que a tentativa de obtenção do passaporte configure uma manobra para driblar medidas cautelares impostas pela Justiça, como retenção de passaporte e restrições de deslocamento.
Na última terça-feira (10), a PGR e a Polícia Federal solicitaram ao STF a abertura de inquérito contra Gilson Machado Guimarães Neto, ex-ministro do governo Bolsonaro. A Procuradoria manifestou-se favorável à investigação e à adoção de medidas cautelares, como:
Busca e apreensão pessoal e domiciliar
Quebra de sigilo telefônico e telemático
Acesso aos dados de Gilson Machado entre 1º de janeiro e 5 de junho de 2025
Segundo a manifestação, há fortes indícios de que Machado atuou junto ao Consulado de Portugal, no Recife, em 12 de maio de 2025, com o objetivo de obter um passaporte português em nome de Mauro Cid, viabilizando sua saída do território nacional de forma clandestina.
A PF já havia identificado, em análise de dados do celular de Mauro Cid, arquivos que indicavam tentativas anteriores, ainda em janeiro de 2023, para obter a cidadania portuguesa. O contexto coincide com os primeiros desdobramentos das investigações sobre a tentativa de golpe e os atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
A nova investigação reforça o entendimento de que Cid e aliados próximos buscavam alternativas para escapar de eventuais responsabilizações criminais, inclusive com apoio de ex-integrantes do governo.
Mauro Cid é réu no STF ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros 29 acusados, em uma ação penal que trata da tentativa de golpe de Estado. A denúncia, apresentada pela PGR, sustenta que o grupo tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022.
Entre os crimes atribuídos a Cid estão:
Elaboração e circulação de minutas golpistas
Fraude em comprovantes de vacinação
Envolvimento em esquemas de venda de joias
Monitoramento ilegal de ministros do STF e adversários políticos
O depoimento prestado nesta sexta-feira pode ajudar a PF a esclarecer se houve de fato um plano de fuga com auxílio de estrutura governamental paralela. A defesa de Cid nega a intenção de sair do país, e afirma que o militar já possui cidadania e carteira de identidade portuguesas, mas não solicitou nem possui passaporte europeu válido.
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